domingo, 26 de dezembro de 2010

ANO NOVO

O ano novo vem chegando, trazendo com ele um momento de reflexão sobre tudo o que vivi no ano que passou.
Começo a olhar para traz, fazer uma retrospectiva de tudo o que passou, momentos felizes outros menos felizes, lembrar de algumas pessoas que durante o ano poderiam estar com a gente e que agora ja não estão mais presente conosco.
Será que esse ano que esta terminando fui mais útil? Sera que posso somar alguns pontos em minha evolução, ou caminhei para tras?
Até quando Deus estará me dando chance para eu melhorar minha minha conduta?
Perguntas dificeis de serem respondidas, porque se melhorei em uma coisa, piorei na outra.
Se ajudei alguem, fui omisso com muitos outros.
Uma coisa é certa, tenho uma ano a menos para poder resgatar os males que pratiquei, um ano a menos para me reconciar com meus desafetos, um ano a menos para ter coisas que poderei levar como bagagem quando partir.
Como todo ano que se inicia, novas promessas para mim mesmo quero fazer, e sei de antemão que serão dificeis de cumpri-las, sei que ao chegar o final do ano se isso for permitido, em muitas dela eu fali, mas se em parte eu conseguir, ja e uma grande é uma grande vitoria.
Quero agradecer a Deus por tudo o que tive no ano de 2010, sei que nada me foi dado sem eu ter o merecimento, as boas e as ruins, pois é atraves delas que nos lembramos de orar, de pedir perdão, de lembrar do nosso criador, nem que seja para pedir, como costumeiramente fazemos, de ver o quanto somos insignificantes, de valorizar as pequenas coisas do dia a dia que nos passam desapercebidas.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

A CA CASINHA BRANCA DE PORTAS E JANELAS AZUIS

Embora eu tenha nascido na cidade, bem pertinho desse agitação, gosto mesmo é do campo, de mato, do, rio de mar, de barco e coqueirais.
Quando posso, procuro viajar para lugares tranquilos, onde o tempo se arrasta lentamente, onde a vida parece não ter pressa, e os moradores parecem assim no mesmo compasso do tempo levar a vida, ou simplismente ir deixando a vida os levar.
Gosto de parar meu carro em uma parte alta, e la de cima olhar até onde a vista alcança o que a natureza de mais belo pode trazer: Vejo, uma mata verdinha, com uma arvores de flores amarela a se sobressaltar sobre as demais, uma cachoeira, descendo a barranco de pedra formando uma pequena cachoeira de aguas claras que se transforma em um riacho que vai cortando o campo verdejante onde animais pastam durante o dia misturados a patos e galinhas .
Avisto uma pequena casinha branca de portas azuis, iguais aquela que meu pai gostava de desenha quando eu era criança, com sua chamine soltando fumaça branca, acizentada que vai subindo lentamente, assim como tudo em volta parece acompanhar o tempo sem pressa, tão diferente do que nos vivemos aqui na cidade, ao lado dela, um pe de manga bem grande a sobrear uma parte do jardim, uma pequena construção que acredito ser o galinheiro e o lugar onde guardam as ferramentas da lida na roça.
Fico imaginando como deve ser belo o entardecer nesse lugar , o sol ir no mesmo ritmo lento do tempo, pouco a pouco se escondendo por detras dos morros arredondos, fazendo o céu ir ficando dourado como ouro, misturando o dia com a noite bem lentamente, até escurecer de vez.
Se é noite sem lua, muito mais estrela no ceu do que na cidade, por que la distante da poluição elas podem serem melhor admiradas, mas for noite de lua cheia aí sim, a lua vai parecer ser bem maior e mais clara a nos convida a sonhar acordado.
Não me arrependo de ter nascido e vivido toda minha vida na cidade, porque foi nela que consegui trabalho, pude criar meus filhos e hoje meus netos, foi nela consegui uma certa comodidade, e posso hoje fazer pequenos passeios, mas penso como seria diferente se eu tivesse nascido naquela cazinha branca de portas e janelas azuis que meu pai desenhava parecendo colocar nela toda a simplicidade que nele era habitual, morando sempre na la, na parte baixo da colina, e vivendo como aquelas pessoas simples vivem, parece sem ambição conformada com a vida que Deus lhes deu.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

LA PROS LADO DO MORRO DO PUPI

Estou aproveitando esses dias que que tenho passado com minha mãe que esta se restabelendo de uma cirurgia para conversar um pouco mais com ela afinal tempo de sobra para isso agora nos temos, e ela apesar de estar com a cabecinha meio fraca, não se esquece do que viveu em sua infancia pobre, tempos em que trabalho era desde os 6 anos de idade.
Minha mãe é mais uma dessas heroinas anonima que existem por ai, apesar dela ser filha do dono da Olaria não passava de mais uma operaria como outra qualquer, levantava as 3 horas da manhã com frio ou calor, trabalhava ao relento iluminada por uma lamparina de querozene ate o sol nascer e batia tijolos, como diz ela até o meio dia. O que me chama atenção é que ninguem pensava no conforto de quem trabalhava, não tinha sequer uma cobertinha de zinco ou mesmo de sape para proteger da garoa, do sereno e mais tarde do sol , nada de protetores solar como acontece atualmente, muito menos dó de verem uma criança enfrentando desde tão cedo um trabalho tão pesado..Depois do almoço ia para a escola, de chilelo, com um vestidinho de xita,e calçinha de saco de farelo comprado para alimentar os animais que era alvejado e costurado pelas mãos de minha avó em sua maquina de mão Era apenas nessa hora que tinha um pouco de divertimento com as coleguinhas.
Contou que meu avo tinha três burros e usava um de nome lambari para trabalhar na pipa, uma tipo de tambor com umas pas que vão amassando o barro conforme ele vai girando puxado pelo burro que gira assim em forma de carrocel durante toda madrugada fornecendo a materia prima para ser feito os tijolos.

Seu nome lambari, lhe caia muito bem, porque lambari é um nome de um peixe muito arisco que se bobear nos rouba a isca e vai embora,ele tambem era muito esperto, tão esperto que fugia a noite por qualquer buraquinho na cerca pra não trabalhar,e no dia seguinte era aquele trabalhão danado para procura-lo pelas redondesa
Meu tio avo, chamado Antonio que era o responsavel pela pipa saia montado em outro animal perguntando pra um pra outro se por acaso não o tinha visto e as vezes recebendo a informação, eu vi ele indo la pros lado do morro do Pupi, que pelo que ela me informou era onde hoje é o Jardim São Luiz ja descambando para o Jd. Novo Sto Amaro.
Outro morro que ela sempre cita e o Morro da Barra, onde meu bisavo por parte de minha avó Mariquinha tinha um sitio que é onde hoje é a favela do Jd.Ibirapuera, no Jd.São Luiz.e la, iam todos os fins de semana e as vezes durante os dias chuvosos plantar milho, mandioca, cana, aproveitava o tempo porque não era possivel trabalhar ja que o Olaria não tinha cobertura.

Falava-se em morro por que no seu tempo ainda eram grandes propriedades que depois foram sendo loteadas dando nomes as Vilas e Jardins que por sinal de jardim não existe nada.

Tinha tambem o Morro dos Pires, atual Colegio Porto Seguro, o dos Andrades, atual o Jardim Sul.

Mas o que quero mesmo é dizer com tudo isso é que apesar da doença da minha mãe, penso que é mais uma oportunidade que Deus esta me dando de conversar com ela um pouco mais que rotineiramente tenho feito, aprender com ela um pouco do seu passado sofrido, dela e de todas as crianças daquela idade, aprender um pouco sobre os lugares que ela conhecia com nomes diferentes, gente diferente, mas com certeza muito mais bonito que agora, com muito mais vegetação, com o Rio Pinheiro limpo onde ela ia pescar com meus tios, rio que meu avo retirava areia em seu barco, e que minha avó atravessava remando com todas as crianças para poder buscar lenha pra queimar pois no seu tempo o gaz de botijão ainda não existia , do outro lado da vargem como ela dizia mas sem favelas, sem transito, e com muito menos violencia que agora.
Os perigos eram outros, não existia colete de segurança, os riscos de contrair uma doença por estar esposta a toda as interperies talvez seja a causa dos reumatismo que ela vem sofrendo atualmente, mas se por um lado a vida era mais dura que a atual, por outro tinha-se mais companheirismo, hoje ficamos presos em nossas casas, isolados do mundo em frente ao computador ou a TV., .

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

NADA É EM VÃO

Hoje minha mãe regressou a sua casa depois de ter ficado 29 dias internada.
Pergunto, Qual a finalidade de um ser humano com uma idade avançada, a saude fragilizada precisar passar por tantos sofrimentos depois de ja ter vivido uma vida inteira de maneira correta e exemplar, de ter se dedicado toda sua vida em razão de sua familia, seus filhos, netos e agora os bisnetos?
Acredito que nada nos acontece em vão, que ninguem passa o que não precisava passar, do contrario Deus seria injusto, então chego a conclusão que quem precisava passar por isso tambem sou eu, pois nesses dias que ela estava correndo risco de vida, que eu me vi na eminencia de perde-la, senti que embora eu sempre soubesse que um dia isso iria acontecer mas quando esse dia vai chegando eu não me senti preparado para tamanha perda. Conheci um outro lado de minha mãe, fragil, dependente, mais amorosa do que nunca para comigo e com sua familia, não que tenha se tornado uma santa, afinal nesse planeta não conheço ainda nenhum.
Estava acostumado a ve-la uma pessoa altiva, mandona, que detestava ser contrariada, uma catolica fervorosa que não deixava de rezar mas não pensei que tinha tanta espiritualidade, tanto conhecimento sobre o outro lado da vida, a maneira como ela interpleta a vida e a morte.
Pude notar o quanto ela e desligada em razão a sua vida pois, aceitava e queria mesmo partir pra juntos dos seus entes queridos que ja se foram, falava sem um minimo de arrependimento, embora sua cabecinha ja estivesse um pouco confusa, dava-se para notar uma lucidez incrivel no que ela me falava.
Falou para eu não chorar a sua partida porque ela tinha mais pessoas queridas dela lhe esperando do outro lado do que aqui hoje com ela.
Que eu deveria chorar se eu durante minha vida a tivesse maltratado, se eu fosse um bandido, aí sim eu teria motivos para chorar.
Chegou a passar dois dias assim, intercalando despedidas com musicas por ela cantadas em sua voz fraca mas afinada, isso durante o dia e noite, um repertorio variado de musicas cantadas em missas e procissões a samba, e musicas sertejas.
Um dia, passou mau, os medicos disseram que o estado era grave, nesse dia era minha filha que estava com ela, que deu a noticia chorando .
Foram dias difíceis, cheguei a pensar em não mais voltar ao hospital por saber que não consegueria segurar o choro em sua presença e isso não lhe faria bem.
Hoje, ela em sua casa, sendo recebida por seus bisnetos que a dias não a viam ela ficou tão feliz que bebeu café sentadinha na cadeira de rodas sem precisar ninguem lhe ficar forçando a beber, coisa que ela ultimamente nem agua queria tomar.
Agradeço aos medicos e enfermeiros tanta dedicação para com ela, a paciencia com a cantora que com seu canto parecia querer passar uma mensagem de que estava feliz com seu destino fosse o qual fosse o desfecho escolhido por Deus para o seu caso mesmo que seu canto fosse cortado muitas vezes com agulhadas em seus pes, como ela mesmo falava
AGRADEÇO A DEUS, POR TUDO, NÃO SEI QUANTO TEMPO ELA FICARA COMIGO OU EU COM ELA, MAS TENHO CERTEZA DE UMA COISA,
"NÃO ESTAMOS AQUI POR ACASO ENCARNADOS MEMBROS DESSA FAMILIA APENAS POR UMA UNICA VEZ, UM AMOR ASSIM COMO O NOSSO É ETERNO".