quinta-feira, 17 de junho de 2010

FESTAS JUNINAS


Como era diferente as festas juninas na minha infância...
Naquele tempo, festa era coisa rara , não é como agora que dificilmente passa um mês sem comemorarmos o aniversario de algum parente, por isso era esperado com ansiedade o dia de Santo António desde o primeiro dia do mês de Junho, já estávamos preparando o necessário para a festança.
Eu e meus amigos, carpíamos o mato do terreno ao lado de nossa casa onde seria acesa uma grande fogueira no dia doze de Junho, véspera do dia de Santo António.
No dia da festa,o terreno era enfeitado com bambu, bananeira e muitas bandeirinhas coloridas coladas com cola de farinha de trigo um a um com a ajuda de todas as crianças.
Meu pai já tinha feito um fogão de lenha improvisado no chão onde era colocadas latas de vinte litros com agua para ferver e um tacho de cobre de minha avó com o gengibre para fazer o quentão.
Quando começava a escurecer, chegava gente de todo lugar para participar do terço que seria rezado as nove horas, enquanto esperavam a hora, bebericavam um quentão e matavam a saudade dos amigos que la se encontrava.
Nós as crianças, como dizia minha mãe, pegávamos fogo, era um tal de soltar pombinhas, correr, brincar com o fogo, e de vez em quando soltar um balão.
Naquele tempo a cultura era outra, o céu era repleto de balão misturando-se com as estrelas no firmamento, niquem se preocupava onde iria cair o balão, se poderia ferir alguém, provocar um incêndio, hoje vejo o quanto estávamos errado.
Quando começava a reza, tínhamos que ficar quietos e acompanhar a ladainha, rogai por nós, rogai por nós, coisa que agente fazia automaticamente, já meio enfadado de tanta espera, de tanta ansiedade para retornarmos a correria.
Terminado o terço era a hora de levantarmos o mastro com a bandeira de Santo que era socado pelas moças solteiras para arranjar um bom marido e hora também de soltar os rojões de vara que ao subir parecia o lançamento de uma astronave tamanha era o jato de polvora soprada para baixo e buuum, um estouro que poderia ser ouvido a mais de três kilometros.e nós corrermos atras da vareta com o tubo de bambu onde era colocado a bomba bastante potente.
No dia vinte e quatro, era dia de nossa vizinha Izidoria fazer a sua festa em louvor a São João,
Ela fazia um doce de abóbora em pedaços que ate hoje não comi igual, la também após a reza e antes de levantar o mastro com a bandeira do Santo tinha o costume de levar para ser lavada a imagem do Santo em uma pequena lagoa que restou de um olaria abandonado que ficava a uns quinhentos metros da casa, isso.com cuidado para não ver nossa imagem refletida na agua, por que senão certamente essa seria a nossa ultima festa que participaríamos. Detalhe, a meia noite, numa escuridão total, de vez em quando agente pisava no calcanhar da menina que estava a frente, as vezes saia o sapato, outra hora, encostava de leve a vela no rabo de cavalo dela, e vinha aquele cheiro de cabelo queimado. ou seja nós íamos mesmo era pra aprontar
Nos divertíamos muito nesses dias, nessa época tudo era muito dificl, principalmente pela falta de dinheiro das pessoas e essas pequenas festinhas era motivo de alegria, e lugar também para arrumar namorada, onde era apresentada as filhas dos amigos, dos parentes.
Tenho muita saudade desse tempo, onde a inocência imperava entre as crianças, ninguem falava em droga, em pedofilia, ficávamos livres sem preocupações maiores de nossos pais com sequestro, abusos em fim de perigos que certamente naquela época já existiam, mas por nos era totalmente desconhecido.
As preocupações eram com as bombinhas colocadas em baixo de latinhas para subirem ao explodir, era com o fogo para não se queimarem, nossas peraltice era fumar escondido, beber bebidas alcoolicas sem permissão.
Minha mãe.continua a fazer o terço em louvor a Sto.Antonio, isso ja a quase sessenta anos, muitos dos que a ajudavam nesse dia ja se foram, inclusive meu pai e cunhado, mas quero continuar com a tradição que por mim tem dois objetivos, o primeiro a agradecer a Deus, e a Sto.Antonio por todas as graças obtidas durante o ano que passou e a proteção para o próximo ano para que possamos estar todos reunidos nesse dia, e também para poder rever amigos, parentes ate mesmo vizinhos nesse dia, que pelo tipo de vida corrida que vivemos as vezes nem temos tempo de nos falar direito..

E VIVA SANTO ANTÓNIO