
Hoje dia dos pais, gostaria de poder atraves da escrita homenagear a aquele que foi e sempre sera meu maior amigo, meu pai.
Homemm que pela necessidade se fez maduro desde a infancia em parte por ser o primeiro filho, mas tambem por ter nascido em uma familia numerosa e pobre nos confins deste sertão. Assim que saiu da bacia em que era colocado pela minha avó à sombra de um pe de café para ela poder ajudar meu avô na capina na Fazenda São Jose onde trabalhavam como colonos, ficou em casa tomando conta dos irmãos mais novos os quais vinham. chegando de ano a ano. Ja mais grandinho, passou seu posto para outro irmão e juntou-se aos pais na lida dura diaria que só pode ser avaliada por quem um dia participou pessoalmente dela.
Com idade escolar, fazia todos os dias uma cavalgada de kilometros de distância em um cavalinho de meu avô, que ficava amarrado em um pasto proximo a escola, ate terminar a aula, mas, fazia isso com alegria, porque ele sempre gostou de estudar, e era tambem uma maneira de encontrar coleguinhas de sitios e fazendas da proximidade. Muito pouco tempo estudou porque a escola so tinha ate o terceiro ano primario, mas ele sempre gostou de ler, de ver mapas geograficos, tinha uma memoria espetacular, e uma inteligencia hoje vejo acima da media, pois de vez em quando me surpreendo com algumas frases que ele dizia.
Veio pra cidade grande São Paulo ainda rapazinho expulso por uma geada que dizimou os seus cafezais com 17 anos, chegando aqui, sem estudo, sem profissão e sem dinheiro, foi trabalhar como ajudante, mas com seu jeito humilde, sereno, falante, cativava tanto os chefes, patrões, e colegas de serviço.
Seu pequeno ordenado era entrege totalmente às mãos de minha avó, que comprava o necessario para eles e os irmãos. Nas vesperas do casamento uma ajuda providencial veio atraves do ganho de um bilhete de loteria. Com o dinheiro que ganhou mais uma parte de meu avô, compraram uma casa onde foram morar todos juntos. Como era de se esperar não deu cero porque minha mãe, não tinha a mesma serenidade dele, as desavensas começaram e mudaram-se para uma cazinha sem piso cimentado, reboque, forro, enfim so as paredes e telhados.
Trabalhou quase a vida inteira em uma unica fabrica, ganhava um pouquinho a mais porque fazia muitas horas extras e trabalhava todos os sabados, quase nunca tirava uma ferias, e numa das poucas vezes que pode, fizemos uma longa viagem de trem ao interior de onde ele tinha vindo, coisa que eu trago na lembrança com muito carinho.
Quando se aposentou, que era a hora da gente poder se curtir mais, agora era eu que não podia parar de trabalhar,assim como ele, tinha que fazer meu pé de meia, mas fizemos varios passeios juntos com os netos que ele amava tanto e por eles era amado, alem de almoçarmos quase todos os domingos juntos.
Um dia, me ligaram por volta das 17 hs, dizendo que meu pai tinha sofrido um acidente, pensei, ele deve ter caido de uma arvore, do telhado, algo assim porque apesar de ele ter 77 anos, era agil, mas quando cheguei me deram a triste noticia, ele na verdade tinha falecido de um infarto fulminante.
Entre muitas coisas que aprendi com ele, uma delas é que a morte não existe, sendo assim, esse abraço que hoje gostaria de lhe dar, vai ficar adiado e um dia com a permissão de Deus darei, e como somos eternos, certamente teremos mais tempo para ficarmos juntos desfrutando de tudo de bom que ele certamente merece
Pai um grande abraço, e saiba que eu te amo
