Nasci e passeia a minha infância no Bairro do Morumbi, hoje lembrado como sinônimo de status, de lugar de pessoas com um poder aquisitivo alto, mas também o bairro onde esta situada a segunda maior favela de São Paulo a favela do Paraisópolis e muitas outras que convivem entre edifícios luxuosos e mansões.
Meus avós mudaram-se para a atual Rua Itapaiuna, por volta de l933, onde construíram uma olaria, bem em frente onde agora existe um Condomínio de Alto padrão, na época uma plantação de eucaliptos.O nde hoje corre uma galeria de águas poluídas antes era um córrego de água limpa em que minha avó lavava roupas e eu anos mais tarde junto com meus amigos, brincávamos nos dias quentes. Esse córrego fazia divisa entre as propriedades de nossa família e vizinhos e o atual condomínio.
Era nessa parte plana que ficava nos fundo de nossas casas que eu e meus colegas passávamos a maior parte do dia, jogando bola em um campo improvisado, empinando quadrado, como nos chamávamos os pipas, montando em cavalos sem sela, e sem permissão do dono. Nossas brincadeiras eram típicas de crianças do interior, mesmo porque não tínhamos brinquedos, então nos mesmo construíamos os nossos com lata de óleo de cozinha ou leite em pó usada, e caixas de sapato.
Quando não estávamos no campo, estávamos na rua que ainda era de terra, e como
muito pouco carro passava durante o dia nos jogávamos taco, que era feito de bambu, aproveitando parte de sua raiz.
Morumbi, mais precisamente, Panamby, era um lugar pode-se dizer retirado porque o Rio Pinheiros dividia em duas partes a população, de um lado do rio , mais populosa, com pouca vegetação e do outro, grandes áreas verdes cortada por uma ruazinha de casas humildes como era as nossas.
Onde agora e o Parque Burle Marx, antes era uma grande propriedade do Sr.Baby Pignatari, fazendo divisa com o Colégio Porto Seguro, era uma grande plantação de mandioca, em seguida uma granja de galinhas.
Do outro lado da rua, depois da fileira de casinhas, situa-se o jardim Sul, um grande loteamento da Camargo Correa, que no tempo em que eu era criança esteve muito tempo abandonado, com suas ruas com grandes valas feitas pela enxurrada das chuvas que escorriam ladeiras a baixo
onde eu e meus amigos descíamos com nosso carrinho de rolemã, no meio fio tendo do lado direito a guia, e do esquerdo uma vala e mais de 3 metros de profundidade.
Esse loteamento é cortado ao meio pela Av.Giovanni Gronchi, na minha infância, uma avenida asfaltada só em uma parte e sem movimento, coisa inacreditável agora.
Muitas pessoas de minha idade ou menos devem lembrar-se da fabrica de bolos Pulman, que foi demolida para dar lugar ao Carrefour, lembrar-se da Fabrica de Baterias Presto on lyte que tinha onde e outro Carrefour esse no terminal de Ônibus e Metro, lembrar-se da garagem da Empresa São Luiz, hoje concessionária de automóveis
Lembrar-se da Fabrica de Oleados Plínio Rodrigues Dias, onde foi meu primeiro emprego, desapropriada para dar passagem a Av.João Dias, com seus viadutos e onde hoje e uma grande praça chamada Alceu Amoroso Lima;
Lembrar-se da Capelinha de N.S da Penha, onde muitos Santamarense vinham participar das quermesses e procissões e onde eu ajudava a missa como coroinha, construída no lugar do Extra.
E.ra uma capelinha branca com uma pequena torre, com portas e janelas azuis, tendo em frente um cruzeiro e cercada por coqueiros, muito bonita, uma pena ter sido demolida.
Estou escrevendo isso, para quem sabe um dia alguns de meus netos lerem e ver como era diferente tanto a paisagem atual como o tipo de vida que vivem, das que eu e as pessoas de minha idade viveram sem duvida mas sempre muito feliz, não reclamo da falta de dinheiro que tínhamos, nem tão pouco da falta de conforto, espero que eles também sejam como eu, feliz e agradecido a Deus pelo que tem, na verdade tenho hoje muito mais do que sonhava ter, e muito mais do que preciso pra viver, embora não seja rico, o que eu quero agora, o dinheiro não compra e nem nunca comprou, é a felicidade de minha família que é e sempre será o meu maior tesouro
sexta-feira, 15 de outubro de 2010
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