Estou aproveitando esses dias que que tenho passado com minha mãe que esta se restabelendo de uma cirurgia para conversar um pouco mais com ela afinal tempo de sobra para isso agora nos temos, e ela apesar de estar com a cabecinha meio fraca, não se esquece do que viveu em sua infancia pobre, tempos em que trabalho era desde os 6 anos de idade.
Minha mãe é mais uma dessas heroinas anonima que existem por ai, apesar dela ser filha do dono da Olaria não passava de mais uma operaria como outra qualquer, levantava as 3 horas da manhã com frio ou calor, trabalhava ao relento iluminada por uma lamparina de querozene ate o sol nascer e batia tijolos, como diz ela até o meio dia. O que me chama atenção é que ninguem pensava no conforto de quem trabalhava, não tinha sequer uma cobertinha de zinco ou mesmo de sape para proteger da garoa, do sereno e mais tarde do sol , nada de protetores solar como acontece atualmente, muito menos dó de verem uma criança enfrentando desde tão cedo um trabalho tão pesado..Depois do almoço ia para a escola, de chilelo, com um vestidinho de xita,e calçinha de saco de farelo comprado para alimentar os animais que era alvejado e costurado pelas mãos de minha avó em sua maquina de mão Era apenas nessa hora que tinha um pouco de divertimento com as coleguinhas.
Contou que meu avo tinha três burros e usava um de nome lambari para trabalhar na pipa, uma tipo de tambor com umas pas que vão amassando o barro conforme ele vai girando puxado pelo burro que gira assim em forma de carrocel durante toda madrugada fornecendo a materia prima para ser feito os tijolos.
Seu nome lambari, lhe caia muito bem, porque lambari é um nome de um peixe muito arisco que se bobear nos rouba a isca e vai embora,ele tambem era muito esperto, tão esperto que fugia a noite por qualquer buraquinho na cerca pra não trabalhar,e no dia seguinte era aquele trabalhão danado para procura-lo pelas redondesa
Meu tio avo, chamado Antonio que era o responsavel pela pipa saia montado em outro animal perguntando pra um pra outro se por acaso não o tinha visto e as vezes recebendo a informação, eu vi ele indo la pros lado do morro do Pupi, que pelo que ela me informou era onde hoje é o Jardim São Luiz ja descambando para o Jd. Novo Sto Amaro.
Outro morro que ela sempre cita e o Morro da Barra, onde meu bisavo por parte de minha avó Mariquinha tinha um sitio que é onde hoje é a favela do Jd.Ibirapuera, no Jd.São Luiz.e la, iam todos os fins de semana e as vezes durante os dias chuvosos plantar milho, mandioca, cana, aproveitava o tempo porque não era possivel trabalhar ja que o Olaria não tinha cobertura.
Falava-se em morro por que no seu tempo ainda eram grandes propriedades que depois foram sendo loteadas dando nomes as Vilas e Jardins que por sinal de jardim não existe nada.
Tinha tambem o Morro dos Pires, atual Colegio Porto Seguro, o dos Andrades, atual o Jardim Sul.
Mas o que quero mesmo é dizer com tudo isso é que apesar da doença da minha mãe, penso que é mais uma oportunidade que Deus esta me dando de conversar com ela um pouco mais que rotineiramente tenho feito, aprender com ela um pouco do seu passado sofrido, dela e de todas as crianças daquela idade, aprender um pouco sobre os lugares que ela conhecia com nomes diferentes, gente diferente, mas com certeza muito mais bonito que agora, com muito mais vegetação, com o Rio Pinheiro limpo onde ela ia pescar com meus tios, rio que meu avo retirava areia em seu barco, e que minha avó atravessava remando com todas as crianças para poder buscar lenha pra queimar pois no seu tempo o gaz de botijão ainda não existia , do outro lado da vargem como ela dizia mas sem favelas, sem transito, e com muito menos violencia que agora.
Os perigos eram outros, não existia colete de segurança, os riscos de contrair uma doença por estar esposta a toda as interperies talvez seja a causa dos reumatismo que ela vem sofrendo atualmente, mas se por um lado a vida era mais dura que a atual, por outro tinha-se mais companheirismo, hoje ficamos presos em nossas casas, isolados do mundo em frente ao computador ou a TV., .
quinta-feira, 9 de dezembro de 2010
Assinar:
Comentários (Atom)
