domingo, 28 de março de 2010

MINHA AVÓ MARIQUINHA" que saudades"


Sou do tempo em que as mães deixavam seus filhos aos cuidados das avós para poderem trabalhar e ajudar nas despesas da casa, dessa forma minha avó Maria, chamada carinhosamente por Mariquinha foi no sentido da palavra a minha segunda mãe.
Graças a ela minha mãe podia ir trabalhar na feira sem tantas preocupações porque sabia que estando com ela eu e minha irmã eramos muito bem cuidados, talves melhor do que por ela....
Lembro-me muito bem do seu jeito simples ao falar, ela era analfabeta como muitas da sua idade., mas sabia fazer contas com os dedos, e dificil de ser enganada.
Mulher sofrida que criou seus oito filhos sozinha com muito sacrificio e dignidade porque meu avô morreu muito cedo, era mais um daqueles que encontrou no alccol o motivo para se divertir e passar o seu tempo nos finais de semana a principio depois passou a beber durante a semana toda.
Eu era o xodo dela como dizia, era como um filho caçula não a abandonando pra nada.
Recordo com saudade do fogão de lenha enorme, onde eu subia para me aquecer em dias de frio e tambem para por pra assar um bolinho de carne moida na chapa que sempre comia antes da refeição estar pronta , ela fazia dois um pra mim outro pra ela, lembro do coador de pano que ficava em um suporte em cima dele.
Fecho os olhos e parace que ainda estou vendo apesar de tanto tempo ter passodo minha avó varrendo seu quintal com uma vassoura de guanxuma como ela chamava. Sua casa ficava ao lado de um pé de jatoba o qual trocava de folhas constantemente fazendo com que seu quintal precisasse ser varrido quase todos os dias, eu ao seu lado aguardando o momento de ascender a fogueirinha com as folhas secas...
Apesar de tantas dificuldades ela comprava a prestação todos os anos uma cesta de natal " Amaral", a qual era aberta na noite de Natal na presença de todos os filhos e netos reunidos com ansiedade na sua sala que ainda tinha piso de tijolos.
Aos domingos sua casa virava um cinema, porque apesar de ela ser pobre era uma das poucas que tinha televisão, então os vizinhos vinham assistir os filmes Bonanza, o circo do Arrelia, o Homem de Virginia, o Fugitivo e outros todos em preto e branco, a TV colorida ainda não tinha sido inventada e como o lugar era baixo cercado de morros, era um tal de meus tios subirem no telhado pra acertar a antena todas as vezes
.Meu tio Mario, ja falecido, uma vez fez cha mate, colocou em uma garrafa e com uma cordinha desceu no fundo do poço que fica a poucos metros da casa para gelar... Geladeira... era coisa de luxo, e a gente em volta do poço perguntando a cada dez minutos, ja ta bom tio ?.Hum!!! que coisa mais gostosafoi tomar aquele cha, principalmente pela ansiedade da espera e por ser pouco para poder dividir. Vez ou outra, minha avó comprava uma pedra de gela, raspava com a colher e colocava groselha, fazia assim o que ela chama de raspadinha, aquilo era uma festa para nós, fez isso tambem varias vezes em dias de chuva de granizo.
.
No dia de São João, era feito uma grande fogueira, no quintal enfeitado com bandeirinhas, e depois do terço era servido o quentão, o doce de abobora a pipoca alem de soltarmos balões na epoca não nos preocupavamos onde ele ia cair, veja se pode isso...A reza parecia interminavel tamanha era a vontade de voltar ao quintal soltar as bombinhas e se deliciar com as comilanças
.Tenho muita saudade desse tempo de criança, das brincdeiras, das pessoas, do jeito simples que viviamos, com pouco dinheiro mas muito felizes.
Falo sempre, eu tive avó, porque as duas minhas eram mesmo avós no sentido da palavra.
Amavam seus netos, brigavam por eles, não mediam sacrificio para agrada-los, deixavam de comprar coisas necessarias pra elas pra comprar para seus netos, despidas de vaidade., vestidas com simplicidade, cabelos cumpridos e brancos, rosto vincados pelas rugas do tempo, mostrando em cada uma delas as preocupações que com certeza tinha e não falavam a ninguem...
Minha avó Mariquinha, receba hoje e sempre o meu abraço, a minha gratidão, e se possivel, receba-me em seus braços no dia em que eu for ao seu encontro.

sexta-feira, 5 de março de 2010

COMO ERA BOM MEUS DOMINGOS...

Não que seja ruim meus finais de semana, muito pelo contrario, é que os domingos de minha infancia eram muito direntes dos de hoje, pois passavamos quase todos eles na casa de meus avos paternos. Apesar de nossas visitas serem frequentes, eramos recebidos por minha avó com uma comemoração dessas que se faz quando a muito tempo não se via, tamanha a felicidade dela.
Eu pegava sua mão e dava um beijo, e ela dizia: Dios que lo bem diga, meu lindo. Minha mãe após os cumprimentos ia pra cozinha juntar-se com as cunhadas pra ajudar a preparar nosso almoço, meu pai ia pra sala onde meu avô Elias ja estava com o baralho nas mãos aguardando pra jogarem junto com meus tios. Jogavam a tarde toda, mas sempre so por diversão porque meu avô dizia que não devemos jogar nem valendo um palito de fosforo. Eu e minha irmã, Ana Maria, corriamos brincar com meus primos. Brincadeira era o que não faltava, queimada, peteca, cobra cega, esconde- esconde e quando era epoca junina, faziamos balão com papel de seda e iamos pegar tocos de vela em um cruzeiro proximo a casa de meus avos. Quando chovia, nós ficavamos ansiosos para que parace pra poder sair na rua colocar barquinhos de papel na enchurrada que descia rua abaixo na epoca ainda de terra. Era uma correria dentro e fora da casa, mas quando a gente passava da conta meu avô dizia, "Hêla, Hêla," e pronto ja estava nossa avó nos socorrendo dizento num castelhano corrido, deixa los niños brincarem...e passavam a discutir entre eles cada vez mais rapido e nos muito pouco entendiamos, ainda bem rs; Lembro que certa vez, bati a cabeça em um daqueles soldadinhos de ferro que se usava pra manter a veneziana aberta e sai chorando ao encontro de minha avó, que certamente teria o remedio. Ela pegou um pouco de sal, molhou na saliva, colocou no galo enorme e apertou com o cabo da colher, pronto ja esava medicado, em seguida chegou meu primo Mauricio com o pedaço de ferro na mão, eu havia quebrado com a testa. Assim nosso domingo passava rapidinho e quando a noite chegava era hora de entrarmos todos, doze pessoas, dentro do Aero Willys de meu tio Frederico, ainda bem que não existia cinto de segurança nessa epoca , e em alguns minutos estavamos na porta de casa.
É claro que adoro meus fins de semana quando minha familia almoça comigo, chego a lembrar um pouco da minha infancia vendo meus netos fazendo barulho como faziamos,mas não posso deixar de gostar dos domingos da minha infancia, distante no tempo mas presente em minha memoria, e ter saudade das pessoas que hoje não posso mais ve-las.
Aiii que saudade da minha avó Sophia !!!

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Existem pessoas que passam pela vida da gente que nos deixa marca, um vazio quando se vão dificil de ser preenchidos. Hoje vou escrever sobre uma delas minha tia Eva.
Sempre nos damos muito bem, mas o que mais me cativava era o jeito com que ela tratava meus filhos, sempre comparecendo nas festinhas de aniversario, podia estar chovendo que ela dava um jeitinho de vir trazendo um presente para o aniversariante e outro pro irmão para não ficar triste como ela dizia. O tempo passou, meus filhos cresceram, casaram-se, os netos vieram , e la estava ela fazendo para os meus netos o mesmo que fazia para os meus filhos. Só pra voces terem uma ideia, certa vez, ela pediu pra mim passar em sua casa que tinha algo pra nos dar, fui direto do trabalho, e sabe o que era? Uma penca de banana e uns pes de alface de sua chacara...
Ja com uma certa idade, debilitada pela recente cirurgia que fez em seu coração, não passava uma semana que nos não nos falasse varias vezes por telefone a noite e isso por um bom tempo.
Fazem mais de três anos que ela se foi, como sinto falta de nossas prosas no telefone... Banana e verduras se acha em todo lugar, mas carinho, vontade de agradar, amizade igual a essa , isso não tem pra vender.
Resolvi escrever isso, como forma de agradecimento, e para mostrar, que são com pequenos gestos como esses que fazem toda a diferença em nossa vida

sábado, 20 de fevereiro de 2010

AS APARENCIAS ENGANAM...

Ja escrevi anteriormente sobre uma visita que fiz com amigos a um hospital de hanseniase em Itu-Sp. e hoje quero falar sobre um senhor que la encontrei o qual me deixou uma grande impressão. Seu quarto era parecido com os outros, mobilia velha, roupas de cama amareladas, paredes que a muito não viam uma pintura e nela pendurado junto com uns retratos provavelmente de familiares e alguns santos um violão.
Brinquei com o doente, acho que entrei no lugar certo pois vejo que o senhor gosta de musica apontando para o violão, e com sua permissão cantei uma canção.
Terminando, ele pediu pra que eu continuasse no mesmo ritmo e cantou com um vozeirão grave, e forte uma melodia por mim desconhecida, quase que uma oração fazendo com que o quarto e o corredor se enchesse de gente para ouvi-lo
Detalhe... Ele era cego e em suas mãos faltavam varios dedos fazendo com que ele tocasse de maneira unica adaptando as posições no braço do violão.
Nunca eu imaginava encontrar em um lugar daquele uma pessoa com tanta capacidade ainda mais pela presença que sua figura se apresentava.
A noite custei pegar no sono, procurando uma explicação a qual me veio assim de maneira simples.
Eu estava sim era na presença de um desses seres iluminados, portadores de uma grande bagagem espiritual em outras encarnações e que estava ali de alguma forma pagando seus debitos nessa, vestido de um pobre negro, doente cego abandonado pela maioria das pessoas mas com certeza muito superior a mim e muitos dos que ali estavam comigo."AS APARENCIAS ENGANAM''

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

O MISSIONARIO DE ARAXA


Deus constantimente envia ao nosso planeta Missionários afim de com seus exemplos de bondade CARIDADE e AMOR AO PROXIMO faça com que humanidade possa evoluir, sendo Jesus sem duvida o maior deles...


Guardando as devidas proporções posso dizer que tive a felicidade de encontrar, conversar e abraçar um deles.


Quem de nós estaria disposto a recolher em sua humilde casa pessoas abandonadas, doentes e com sua pequena economia mante-las, cozinhando, lavando, tratando do doente pessoalmente.


O espaço é muito pequeno para poder contar a historia de sua vida.


Gostaria de dividir com todos meus amigos a alegria que tive conhece-lo, por isso convido a todos que vizitem Araxa - MG, vizitem as Thermas onde Dona Beja se banhava mas não deixem de ir à


CASA DO CAMINHO, sem duvida voces vão concordar comigo que la naquela pequena cidade, mora um anjo chamado JOSE TADEU
A foto acima é a sua casa a qual foi preservada para servir de exemplo, e ela é a origem do Hospital hoje construido por ele

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

MUSICAS QUE EMOCIONAM

Num domingo, eu e alguns amigos fomos visitar um hospital que cuida de hanseniase em Itú, interior de S.Paulo com o objetivo de levar um pouco de alegria aquelas pessoas tão necessitadas de tudo, mas principalmene de calor humano. Vitimas de um mau hoje curavel a lepra, mas que sofrem uma enorme discriminação. Levei o violão e entravamos nos quartos, quase todos iguais, tristes e acanhados como seu morador. Notei que na medida que começavamos a cantar, o ambiente se modificava, o doente de alguma forma participava cantando ou batendo palma com as mãos algumas delas faltando dedo e em questão de minutos a alegria fazia parte do local. Foi num desses quartos que encontrei Dna Neusa, uma ex enfermeira que contraiu a doença depois de vinte e cinco anos de trabalho. Como em seu quarto tinha um cartaz da dupla Zeze e Luciano, cantei uma musica deles mas não escolhi a melhor para a ocasião porque tinha uma parte que dizia, "as lembranças me chegam sempre em noites tão vazias..." e quando eu vi, ela estava chorando... Pedi desculpas, disse que a finalidade nossa era exatamente o contrario, faze-la rir, se divertir... E sabe o que ela me falou? Estou chorando de alegria... Até hoje me emociono ao ouvir essa musica, mas não choro por ela, porque ela não precisa, esta muito acima, mas por mim...

domingo, 31 de janeiro de 2010


Hoje assistindo um video de uma amiga, comecei a pensar na vida, mais precisamente na morte.

Sim, porque esse video fala de partidas inesperada, de despedidas, de saudade...

Um sentimento que nos faz perder o chão, nos deixa frageis, como se diz, precisando de colo.

Por mais que tentamos ser racionais por saber que isso é invitável não nos acostumamos nunca por estar acima de nossa compreensão. Lembro-me bem quando criança que pedia a Deus para que meus pais nunca morrecem... Hoje, quinze anos se passaram desde a sua partida sou grato a Ele por ter levado meu pai, assim de uma hora para outra, sem despedidas, porque so guardo dele os melhores momentos, embora estivesse com aparente saúde, mas ja caminhando pra velhice. Lembro bem quando ele fez setenta anos, eu o abracei e não consegui segurar as lagrimas ... Recordo com muita saudade de meu tio Frederico, irmão de meu pai, tão amigos que meu pai sentiu tanto sua partida que se foi poucos meses depois, tambem de minha tia Eva, com quem conversava por telefone varias vezes por semana durente muito tempo Sou pequeno demais pra tanto entendimento, e olha que tenho certeza que a vida continua do outro lado. Assim como eles se foram, chegará o meu dia, e nesse dia, se posso pedir ainda mais alguma coisa a Deus é que eu seja recebido por eles, por meus queridos avós, tios e amigos, e nesse dia sei que vou chorar muito, pela saudade dos que ficaram e tambem pela alegria do reencontro. Como diz no video, AQUELE QUE AMAMOS NUNCA MORREM, APENAS PARTEM ANTES DE NOS